Headphones
2008-07-19
Capa do álbum Homogenic.
Armin van Buuren nos fones de ouvido, quase alto o bastante para encobrir o barulho do metrô, que rasgava o ar parado dos túneis.
Na frente, uma guria meio indie, de óculos, cabelo cobrindo parte do rosto. Tinha um caderno grosso no colo, e um cd da Björk… o Homogenic, se não me engano.
Entra um ser baixinho de camisa branca fechada no pescoço, sapatos surrados, portando uma bíblia. Começa a pregar “a palavra do Senhor”.
Olho para ele, para o cd da Björk. Não consigo segurar as gargalhadas.
Ela repara, olha pra mim, inclina a cabeça sem entender nada.
Eu tiro o fone direito:
— My headphones, they saved my life.
Recoloco meu fone, quase alto o bastante para encobrir as risadas histéricas.
Ps.: Se você não entendeu nada, esta é uma frase da música Headphones. Ouça aqui.
Pressa.
2008-07-13
Foto por: hichako
Os velhos me disseram para aproveitar a juventude, e que ela é uma só, e que ela nunca retornaria.
Fiz tudo para ter o que eu queria agora. Forcei o instantâneo. Não esperei a massa crescer.
Besteira!
Tenho que esquecer o que os velhos dizem. O tempo deles está acabando, não o meu.
“É, em 2008 eu passei por poucas e boas. Meses difíceis mas que aprendi pra caralho.”
Pensando bem, nem é tanto tempo assim!
Salão.
2008-07-11
Foto por: Daniel Filho
Caminhando pelo salão alto e comprido,
de várias entradas e saídas numeradas,
as escassas lágrimas e o largo sorriso o denunciavam:
Era o cara mais mais feliz da face da terra.
Valores.
2008-07-09
Foto por: yugoQ
Alguns valorizam mais o aparelho de som do que a música.
Valorizam mais os talheres do que a comida.
Valorizam mais o lugar que a companhia.
Mais a roupa que a pele.
Mais o perfume que o cheiro.
Mais os ouvintes do que o discurso.
Mais a sorte que as tentativas.
O barulho vazio ao silêncio…
Não acredito que existam valores errados. Apenas diferentes dos meus.
Caos, preguiça e a navalha de Occam.
2008-05-28
Segundo a teoria do caos, não há causa sem efeito, e nem efeito sem causa. Parece óbvio.
Mas, pensando assim, chegamos ao ponto de que toda causa é um efeito que é uma causa que é um efeito.
Logo, não temos como mudar o nosso futuro, pois tudo que fazemos é efeito do que vivemos no nosso passado, no presente, do que esperamos para o futuro, do nosso meio… Certo?
Agora, você tem a escolha de continuar lendo, ou pular para a conclusão.
Não necessariamente. Esta é a maneira fácil.
Segundo a teoria da navalha de Occam, a melhor solução para um problema, é a solução mais fácil. É a preguiça. A inércia.
É assim que a própria natureza funciona, e isso inclui os nossos cérebros.
Podemos deixar as coisas fluirem e seguirmos o nosso “destino”.
Ou podemos fazer do jeito mais difícil: Sermos conscientes de que cada escolha, em cada momento, é uma chance de criarmos efeitos diferentes e mudarmos o nosso futuro e o futuro do nosso meio para melhor.
(Segundo o caos, alterar até mesmo os rumos do universo, mas não vou entrar nesses detalhes. Vamos manter isso simples.)
Pense em cada pessoa, por exemplo, que você conheceu por acaso e que mudou o rumo da sua vida.
Aposto que todos temos uma coleção enorme destes acasos.
Agora pense que, se você não tivesse saído de casa para aquele lugar, naquela hora, daquele jeito e com aquele tal humor (por exemplo), aquilo não aconteceria.
Conclusão
Dando o melhor de nós a cada instante, damos condições para que coisas boas aconteçam.
As religiões orientais, por exemplo, dão muito menos valor para o passado e futuro do que a maioria de nós. Afinal, só podemos fazer alguma coisa no presente.
Até o ato de lembrar do passado e projetar o futuro é feito no presente.
Então, sugiro que não sejamos preguiçosos, e tomemos cada atitude, cada palavra, cada clique no youtube ou post no twitter, como uma decisão.
Usemos melhor o presente.
Eu sei que isso é slogan de cartão de crédito, mas a vida é agora.